12 de jan. de 2009

A NOVA C.E.E. - Certificado de Eficiência Energética

Depois de no século XX termos aderido à C.E.E., que entretanto já foi C.E. e agora se chama U.E., já era tempo de repescar a sigla original e dar-lhe um novo sentido.
Certificado de Eficiência Energética, parece-me bem. Bem, agora temos de dar conteúdo a isto.
Segundo os iluminados (umas bestas é o que é!), este certificado passa a ser exigido a todos aqueles que pretendem vender uma casa, e isto tem de ser pago. E bem pago. Quem paga? O vendedor ou o comprador, um dos dois não escapa.
Bem, com isto é preciso começar a montar mais uma "rede de chupistas" para tornar a coisa mais aliciante. E vai daí, e para começar criam-se 800 agentes certificadores, deve chegar. Já está previsto chegarem aos 2000 agentes. Dá para tudo.
Para não parecer mal, também vão ser dados benefícios fiscais de acordo com a classificação do imóvel, bem como, se forem seguidas as recomendações dos tais agentes no que toca a melhoramentos. Isto vai ser um regabofe, aliás, mais um regabofe.
Tal como na primeira C.E.E., que entretanto já foi C.E. e agora se chama U.E., também esta nova C.E.E. nos está a ser vendida com um mundo de virtudes. Será mesmo assim? Tenho dúvidas.
Na prática, aquilo que se passa é que muitas pessoas só são confrontadas com estas questiúnculas, a poucos dias de efectuarem a escritura. Aí, o mais natural é ficarem com a sensação de que, é só mais um papel e mais uma forma de nos comerem mais alguns euros. É justo pensar assim até porque a classificação melhor ou pior não obriga a nada.

A partir de agora vamos poder ouvir conversas do tipo:
- Comprei um T2 B -, por 150.000€.
- Boa, parabéns mas olha que eu vi uns T2 A++ na mesma zona, pelo mesmo preço!

É triste, mas é verdade.
Àqueles que agora querem vender uma casa apenas resta a opção de acrescentar o valor da certificação ao valor do imóvel e ter a sorte de lhe calhar um agente do tipo, foi porreiro pá.

3 comentários:

Federico Fellini disse...

Desengane-se quem pensa que este assalto ao bolso do contribuinte é só para venda de imóveis! Quem quiser arrendar vai ter de contribuir também para alimentar a corja de "certificadores". O mais caricato disto tudo, se é que pode ser ainda mais, é que as expensas da certificação (uns módicos 380 €) ficam a cargo do proprietário ou vendedor mas, reza o decreto, que é o arrendatário que pode usufruir do benefício fiscal. Os nossos legisladores parecem fazer confusão entre arrendatário e proprietário….pergunto-me se saberão qual dos dois é o inquilino?
O que seria interessante divulgar é se os imóveis camarários e de bairros sociais também serão alvo de certificação!
Como dizia a minha avó, que Deus tem, é tudo uma ladroagem...é o que é!

Paulo de C. disse...

Tenho que ser sincero,não sei se nos outros paises também assim é,mas aqui ciclicamente surgem umas obrigações associadas a actos indespensáveis à vida.Agora temos a certificação energética que apenas servirá para criar mais um grupo de proxenetas.Provávelmente ainda iremos assistir ao nascimento da certificação odorifica,da certificação do karma,e por ai fora.Se houver a obrigação de se certificar se uma casa é boa para a prática sexual(homem/mulher!)avisem pois é o tipo de trabalho que se faz com prazer,e além disso eu também sou filho de Deus!!!

Paulo de Almeida disse...

O C.E.E (certificado de eficiência energética, não confundir com C.E.E, a outra) está para os imóveis como a IPO (Inpecção Periódica Obrigatória, não confundir com doença terminal) está para os automóveis: todos são obrigados a ir e ás vezes até passam!
Não irá tardar que comecem a ser descobertos casos de pré-fabricados classe A+! Mais ou menos como os táxis de Lisboa que passam todos na IPO! Mais um job para os boys!
Depois do tabaco, do alcool e dos automóveis, eis que o legislador vê mais uma oportunidade de "chuling" para o povo.
Sorte dos sem abrigo (que comparação tão reles) que estão isentos desta certificação (estão, não estão?!).